Quando se perde a paixão e não quer reconhecer, se ilude e acredita estar amando.

Acho que já estou exausto, lutar a cada dia, a cada música, a cada filme. Há tanto choro reprimido, mas não posso arriscar passar por isso de novo. Se cheguei até aqui não é por liberdade poética. Estou tão esgotado, tão leviano, oco. Se um dia senti toda aquela força gostaria de poder vivenciar de novo. Usei tanto essa força que hoje ela já não consegue mais me empurrar, me levantar. Agora ela vem me arrastando.
É com piadas e bebedeiras que estou levando os dias, já está tão desgastado meu discurso 'sou feliz'. Reconheço aqui que já menti tanto que passei a acreditar na utopia de realizar meus sonhos. O coração perdoa e eu não me esqueci. Não pelos amigos, pelo lifestyle, pela família, pelos meus desenhos, mas por mim. Hoje já não acredito nas minhas relações interpessoais que estão todas na correnteza de uma cachoeira. Não há mais um colo confortável, um abraço aconchegante. Não me conecto mais com os outros nem outras coisas. Minhas músicas não tem mais refrão mesmo quando a batida me leva.